Somos um pouco do nada que mais não quer ser. Um beco sem saída. Uma estrada cortada para obras, é isso mesmo que somos. Tão confusos, tão complicados, tão jovens.
Todas as noites lembro-me de ti, dos teus olhos semicerrando, do teu sorriso enorme. Fascinante como ele em pensamento toma uma imagem tão real que posso quase percorrer-te o rosto com a mão gelada.
Não vou negar e dizer que não tenho saudades tuas, mas aprendemos a viver bem um sem o outro, a viver a olhar apenas para as estrelas em todas as noites que acordada sonho contigo, e por instantes sou feliz por recordar que contigo poderia ter sido tão diferente. Eu sei que fui a única a ver algo em nós. Cheguei a acreditar que tu tinhas algo de especial, algo que me fazia ver em ti o que não via em mais ninguém.
Eu não queria chorar, queria ser sempre a pessoa forte que sou, mas estou aqui, pela primeira vez a exteriorizar tudo aquilo que me tens feito passar sem sequer quereres saber.

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