19:46
Saiu daquela casa em ruínas que me acolhe e descalça piso a terra molhada, sigo em direcção aquele rio que surge no horizonte e quando finalmente o alcanço ajoelho-me com os joelhos nus a sentir aquela superfície fria e vejo o teu reflexo na água cristalina, mas é tanto o ódio que decido molhar a cara para não te ver mais, já naquela água agitada não estás, mas teimas em reaparecer por entre o arvoredo que dança com o vento, levanto-me corro em tua direcção e esfumaças-te no ar, olho em diante os meus pés e vejo uma pedra, pego nela e com todas as minhas forças marco o teu nome no chão, e nesse instante penso no quanto me tornas-te infeliz e que já não vales o mínimo esforço. Desesperada e sem o nome terminado corro para aquelas águas frias e mando-me para pôr fim ao meu pensamento e apenas fico a boiar livremente com o sol a bater-me mesmo nos olhos enquanto grito já com a voz rouca: “Deixa-me, quero te longe, não me atormentes mais oh amor da minha vida!”.
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