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O desespero falou mais alto, a força escasseou-se e fugir foi a razão mais irracional que correu na minha cabeça atordoada. Saiu de casa, bato a porta com força e desato a correr para o meio da estrada. É já tarde, e eu ali sozinha, por baixo das luzes dos candeeiros solitários, ao som da natureza que ao escurecer se liberta e descalça com lágrimas a escorrer desmanchando a maquilhagem que me deste olho em diante àquela estrada sem fim e vejo lá no horizonte uma luz, o seu brilho era tanto que nem me deixava abrir os olhos por completo. Num estalar de dedos essa luz aproxima-se e bate com tal brutalidade que me faz cair ao chão, nesse instante só se ouve gritos de aflição a chegar perto de mim, mas a dor aumenta de tal maneira que fecho os olhos deixando me ali a sofrer ainda mais. Quando abro os olhos só vejo o teu corpo debruçado no meu e ai senti uma felicidade extrema por termos trocado os papeis. Agora quem chora és tu pela mesma razão que a minha, com medo que a fidelidade não seja a melhor, o amor suficiente, a presença oculta e a amizade esquecida. E finalmente sorriu pois agora és tu quem tem medo de perder o alguém que te completa.

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